"As ideias, todos sabemos, não nascem na cabeça das pessoas. Começam num qualquer lado, são fumos soltos, tresvairados, rodando à procura de uma devida mente".
Mia Couto in Terra Sonâmbula
Comentário: Acompanho as aventuras do pequeno bruxo desde meus 11 anos, como aconteceu com muitas outras pessoas, Harry Potter me forjou leitora. Apesar de ser encantada por sua saga e esperar ansiosamente o lançamento de seus livros ano após ano, assistir todos os filmes e colecionar alguns artigos, só fui ler o desfecho dessa história no finzinho de 2015, quase 14 anos depois de tê-la iniciado. Por algum tempo, associei meu desinteresse pelo sétimo livro ao meu crescimento, imaginando que depois de perder totalmente as esperanças de que uma carta de Hogwarts chegasse até mim se findava também meu encantamento pela estória... Em meados de 2015 porém, quando me vi imersa de atribulações com o fim de meu curso universitário e me preparando para prestar os exames do mestrado resolvi reler a primeira narrativa do jovem bruxo e devo confessar que foi tão arrebatador quanto a primeira vez. Não conseguia largar o livro e o devorei em pouquíssimos dias, me fiz criança/adolescente outra vez e embarquei de volta ao mundo bruxo criado por J. K. Rowling. Quando finalmente em dezembro de 2015 li "Harry Potter e as relíquias da morte" me dei conta que meu aparente "desinteresse" pelo livro não passava de uma recusa subconsciente em aceitar que a magia acabasse. Ah, meu livro preferido continua sendo o quarto "Harry Potter e o cálice de fogo", mas o fim dessa história não merece nada menos que 5 estrelas.